Credes que eu vim trazer a paz sobre a Terra? Não, eu vos asseguro, mas, ao contrário, a divisão; porque de hoje em diante, se se encontram cinco pessoas numa casa, elas estarão divididas umas com as outras; três contra duas, e duas contra três. O pai estará em divisão com o seu filho, e o filho com seu pai; a mãe com a filha, e a filha com a mãe; a sogra com a nora, e a nora com a sogra. (São Lucas, cap. 12, V. de 49 a 53)
Jesus sabiamente proferiu essas palavras, mas que ressoam aos nossos ouvidos nos transmitindo uma moral estranha.
Porque logo Ele, o Mestre da Soberania Espiritual, da paz e da justiça, mencionou essas palavras, que se traduzidas ao pé da letra, demonstram a contrariedade dos seus próprios princípios?
O Cristianismo chegou quando o Paganismo se declinava e se debatia contra as luzes da razão. Mas infelizmente os adeptos da nova doutrina não compreenderam e não souberam interpretar a mensagem de quem trazia a Boa Nova. Nasceram desde então inúmeras Doutrinas, cada uma com sua interpretação. Até ai tudo bem, pois a verdade não se prende a uma só crença, pois ela pode ser interpretada sob diversas formas. Mas a questão vai mais além. Homens incultos e ignorantes queriam se sobrepor de tal maneira a se convencerem que eram os possuidores da verdade absoluta, combatendo outras doutrinas cujo princípio era o mesmo Cristianismo, só que diferentemente interpretado. Essas guerras travaram o progresso do mundo e dos homens durante séculos, pois foram mais sangrentas e devastadoras do que as próprias guerras políticas.
Se o Cristianismo fosse melhor compreendido e melhor praticado, isso certamente não teria ocorrido.
O fato é que o Espiritismo viria em seu tempo para solucionar esses problemas e estabelecer uma comunhão entre os homens, que melhor raciocinariam e compreenderiam o que Jesus realmente veio nos trazer para o nosso próprio benefício.
Mas algo repudia a ação benéfica dos Bons Espíritos que nos trouxeram, através de Allan Kardec, a Doutrina Consoladora. Intervenções humanas com ranços do Cristianismo autoritarista, impedem a marcha do Espiritismo em prol da unificação humana.
É inexistente a paz e a concórdia entre os homens quando o fanatismo supera a razão, não aceitando essa ou aquela doutrina; julgando inferior essa ou aquela associação ou federação; que em vez de divulgar a Doutrina pacificadora que traz o Espiritismo, esmaga e tiraniza esvaecendo os primórdios consoladores que traz os ensinamentos espírita-cristãos. Extirpa dessa forma o Amor, a fonte que rege nossa vida para o infindável progresso.
É de se lamentar este fato quando é identificado na Doutrina Espírita. Quais razões terão aqueles que apontam com o dedo quem está com o erro, quando na verdade o erro consiste em suas determinações desumanas que travam o progresso da doutrina como um todo?
Não sou o dono da verdade, e creio que ela não reside neste mundo, onde as guerras religiosas não se encontram apenas do lado de fora, mas que também se intensificam internamente na mesma Doutrina, onde corações não se amam como deveriam se amar, e o egoísmo impera onde deveria ser banido.
enviando...