O que guarda a sua boca conserva sua alma, mas o que abre muito os seus lábios se destrói (Provérbios Cap XIII V. III)
Enquanto uns usam a sabedoria como fonte inesgotável de favores úteis a sociedade, outros manifestam palavras mesquinhas que dói na alma de quem as ouvem.
Aprendi com os mais antigos que o tempo é o Grande Mestre dos Homens, porque só o tempo é que demonstrará os resultados das atitudes que por nós foram cometidas. Por isso o tempo é precioso, assim como a água, o ar e a vida. Mas infelizmente muitos destroem a preciosidade do tempo com martírios psicológicos e antagonismos desnecessários.
Divergências pessoais e contradições compulsórias são frequentemente vistas numa mesma sociedade, onde a fraqueza humana se dá por vencida diante da causa enobrecedora que traz a Doutrina Espírita.
Jovens, pessoas de bem, necessitados e assistidos de todas as peculiaridades tornam-se adeptos do Espiritismo por uma mesma razão: encontram uma Doutrina não dogmática que fala do mesmo Deus e do mesmo Jesus, mas de uma forma esclarecedora, consoladora e cheia de novas virtudes. Mas com o tempo irão perceber que a Doutrina do mesmo Deus e do mesmo Jesus, também é composta dos mesmos seres humanos que não aceitam idéias ou propostas diferenciadas.
Os primórdios do Cristianismo encontram-se hoje na era do Espiritismo, onde os adeptos, principalmente os mais antigos, são monótonos em seus ideais, não aceitando de forma alguma propostas renovadoras para o progresso do Espiritismo, para a proliferação do Amor Cristão. Os déspotas Espíritas -se assim podemos chamar- são verdadeiros ditadores que censuram o amor e a caridade que Cristo nos exemplificou. Em verdade estão censurando o próprio Cristo, crucificando diariamente a Boa Nova e a mensagem de esperança que nos concedeu.
O que importa acreditar na existência dos Espíritos, se essa crença não torna melhor, mais benevolente e mais indulgente para com os seus semelhantes, mais humilde e mais paciente na adversidade? Que serve ao avaro ser espírita se é sempre avaro? Ao orgulhoso se ele é sempre pleno de si mesmo , ao invejoso se é sempre invejoso?
Essas palavras encontram-se no Livro dos Médiuns, item 350 do capítulo 29, Rivalidade entre as Sociedades, escrito por Kardec no Século 19.
Não é uma psicografia, mas é uma mensagem que tem conteúdo e veracidade, é um fato que se concretiza infelizmente nos dias de hoje. Se há alguém que afirma que essa situação tende a ser assim por questões evolucionistas e desse jeito que se encontra está tudo perfeito sob os desígnios de Deus, eu repudio esta afirmação baseando-me nas palavras de Paulo Freire: “Nenhuma realidade é assim mesmo, pois toda realidade está submetida a possibilidade de nossa intervenção nela”. E vou mais além, pois essa intervenção tem que ser direta e nesse exato momento, pois o tempo não espera a nossa atitude, ele se constrói de acordo com nossas ações, portanto, temos como tarefa prioritária propagar a Doutrina Espírita, não do jeito que está sendo manipulada nas mãos dos mesmos, e sim direcioná-la para àqueles que estão preparados -ou se preparando- para darem continuidade na seara do Cristo, pois se continuar prosseguindo nesses rumores, o Espiritismo tornará cada vez mais fonte de comércio e palco de intrigas e oposições.
José Francisco Rossi Neto
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